
Cibersegurança para empresas mudou de forma definitiva quando o modelo híbrido se tornou padrão. Antes, a maioria dos acessos à rede corporativa acontecia dentro do escritório, atrás de um roteador e de um firewall que a própria empresa controlava. Hoje, esse acesso acontece de casa, de um café, de um aeroporto, por uma rede que ninguém da TI jamais configurou. Mesmo assim, muitas empresas ainda não adaptaram sua estratégia de segurança a essa nova realidade.
O escritório físico tinha uma vantagem clara: um perímetro definido. A empresa sabia onde a rede começava e onde terminava, e podia proteger essa fronteira com relativa previsibilidade. O modelo híbrido apagou essa fronteira. Agora, notebooks levados para casa, celulares pessoais usados para acessar e-mails corporativos e redes Wi-Fi domésticas passam a representar novos pontos de entrada para os sistemas da empresa.
Esse tipo de acesso raramente recebe a mesma atenção que um servidor dentro do escritório. Ninguém audita o roteador da casa de um colaborador. Ninguém garante que o notebook pessoal dele tem antivírus atualizado. Na maioria dos casos, ninguém verifica se aquela rede doméstica está mesmo segura antes de deixar um funcionário acessar dados sensíveis da empresa por ali.
Isoladamente, esses acessos parecem inofensivos. Somados a dezenas de colaboradores trabalhando em locais diferentes, ampliam significativamente a superfície de ataque, ou seja, o número total de portas de entrada que um invasor pode tentar explorar.
A Verizon é uma operadora de telecomunicações que publica, todo ano, um dos levantamentos mais respeitados do mundo sobre violações de dados, o Data Breach Investigations Report, ou DBIR. A edição de 2026 analisou mais de 31 mil incidentes de segurança reais, relatados por empresas ao redor do mundo.
O relatório encontrou o elemento humano em 62% das violações analisadas. Isso inclui erro, descuido e engano, não apenas ataques sofisticados. Pela primeira vez, a exploração de falhas conhecidas em softwares ultrapassou o roubo de senhas como principal porta de entrada dos ataques, respondendo por 31% dos casos. Em paralelo, os golpes de engenharia social, aquelas mensagens que manipulam alguém para clicar num link ou entregar uma senha, tiveram o sucesso ampliado em 40% quando aplicados via celular.
Esse dado ganha ainda mais relevância no modelo híbrido. Fora do escritório, as pessoas checam e-mail e mensagens de trabalho pelo celular com mais frequência, muitas vezes sem a mesma atenção que dedicariam num computador corporativo monitorado. Uma mensagem que soaria suspeita na tela grande do escritório passa despercebida na tela pequena do celular, entre uma reunião e outra.
Além disso, o relatório destaca outro aspecto relevante para quem trabalha com fornecedores e prestadores externos: violações envolvendo terceiros apareceram em 48% dos casos analisados, um salto de 60% em relação ao ano anterior. Isso inclui contas de fornecedores comprometidas e integrações mal configuradas entre sistemas. Nesse modelo, em que colaboradores, fornecedores e parceiros acessam sistemas de fora do escritório com frequência cada vez maior, essa porta de entrada ganha ainda mais peso.

Durante anos, proteger a empresa significava proteger o perímetro: o escritório, os servidores, a rede interna. Nesse novo cenário, essa lógica perde força. O que realmente precisa de proteção agora é a identidade de cada pessoa que acessa o sistema, de qualquer lugar, a qualquer hora.
Isso significa verificar quem está entrando, não apenas de onde. Se um invasor obtiver a senha de um colaborador, poderá acessar o ambiente como se fosse ele, esteja o funcionário no escritório ou em outro país. A senha sozinha não distingue as duas situações.
A própria Microsoft, empresa responsável pelo sistema operacional Windows e pelo Microsoft 365, divulga que ativar a autenticação multifator, aquela verificação extra que pede um código enviado ao celular além da senha, bloqueia mais de 99,9% dos ataques de comprometimento de conta. Apesar de simples de implementar, essa continua sendo uma das medidas mais eficazes para reduzir riscos. Ainda assim, muitas empresas de pequeno e médio porte não a adotam de forma obrigatória para todos os colaboradores.
Muitas empresas acreditam que uma VPN, a rede privada virtual que cria um túnel criptografado entre o computador do colaborador e o servidor da empresa, já resolve o problema do acesso remoto. Ela contribui para a segurança, mas resolve apenas parte do problema.
A VPN protege o caminho entre dois pontos. Ela não verifica se a pessoa que está usando aquele caminho é realmente quem diz ser, nem se o dispositivo dela está livre de vírus. Um notebook infectado, conectado por uma VPN segura, ainda representa risco: a infecção viaja junto com ele.
Por esse motivo, a segurança da informação evoluiu para modelos como o Zero Trust, ou confiança zero. A ideia central é simples: nenhum acesso é automaticamente confiável, nem mesmo o de um colaborador já dentro da rede. Cada tentativa de acesso passa por verificação, independentemente de onde ela parte. Não é sobre desconfiar da equipe. É sobre não deixar que uma senha vazada, sozinha, seja suficiente para abrir todas as portas.
Em empresas sem uma equipe de TI estruturada, a segurança de quem trabalha remoto normalmente fica sem dono. O financeiro ou o administrativo assume outras responsabilidades de tecnologia, mas raramente tem tempo ou conhecimento técnico para monitorar acessos remotos, exigir autenticação multifator ou revisar quem ainda tem permissão para entrar no sistema depois de sair da empresa.
Na prática, isso cria lacunas importantes na aplicação das políticas de segurança. Um colaborador que saiu há três meses pode continuar com acesso ativo. Um notebook pessoal, sem qualquer proteção corporativa, pode estar conectado à rede da empresa neste exato momento. Para quem decide sobre tecnologia na empresa, esse tipo de lacuna raramente aparece num relatório financeiro. Ela só se torna visível quando já é tarde, no meio de um incidente.
Os impactos vão além da operação interna. Empresas que lidam com dados sensíveis de terceiros, contratos, informações financeiras, dados de saúde, carregam uma responsabilidade que ultrapassa a própria operação. Um incidente que começa num notebook pessoal esquecido pode se espalhar para sistemas de parceiros comerciais, e a origem do problema raramente fica clara até uma investigação completa.

Empresas que tratam a cibersegurança para empresas no modelo híbrido como prioridade, e não como item esquecido, mantêm algumas práticas de forma contínua. Exigem autenticação multifator para todo acesso remoto, sem exceção. Revisam periodicamente quem tem acesso a quê, removendo permissões de quem já não precisa delas. Ao longo do tempo, monitoram também os dispositivos que se conectam à rede corporativa, mesmo quando estão fisicamente longe do escritório.
Embora nenhuma medida elimine totalmente os riscos, esse conjunto de práticas reduz significativamente a chance de um erro humano, o fator presente na maioria das violações, virar um incidente real. Como consequência, a empresa ganha algo que o modelo híbrido tirou dela: visibilidade sobre quem acessa o quê, de onde, e com que nível de proteção.
Poucas empresas têm tempo ou estrutura interna para revisar isso sozinhas, e é aí que entra o papel de um parceiro de TI dedicado. Na Dunker IT, cada ambiente híbrido passa por autenticação multifator obrigatória, políticas claras de acesso remoto e monitoramento constante dos dispositivos conectados à rede, não como um pacote fechado, mas como um acompanhamento que evolui junto com a operação do cliente.
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